O sábado não é dia de descanso. É o dia nacional do supermercado. "Por que temos que gastar tempo com compras de supermercado?" - ela pensa. Seria tão bom se as compras viessem sozinhas e já fossem guardadas na despensa automaticamente. Mas como isso não é possível para ela, ainda, ela anda pelos balcões de frutas e verduras. Na banca de batatas, uma senhora bem idosa puxa papo:
- Eu prefiro as feiras...
- A senhora mora aqui perto?
- Sim, no primeiro bloco atravessando a rua. Venho devagar, com minha bengala de apoio. E depois dou uns trocadinhos para o rapaz que empacota e ele leva as compras para mim.
- Vejo que todo sábado você está por aqui, não é, querida?
- Só tenho tempo no sábado... Nossa! Nunca reparei na senhora...
- E quem é que repara em velho, minha filha?
Pois essa frase mudou o seu dia. Como assim? As pessoas envelhecem e ficam invisíveis ou o mundo está invisível para ela?