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domingo, 25 de dezembro de 2011
Neste Natal, uma mensagem...
Navegar é Preciso
Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa:
"Navegar é preciso; viver não é preciso".
Quero para mim o espírito [d]esta frase,
transformada a forma para a casar como eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.
Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.
Só quero torná-la grande,
ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.
Só quero torná-la de toda a humanidade;
ainda que para isso tenha de a perder como minha.
Cada vez mais assim penso.
Cada vez mais ponho da essência anímica do meu sangue
o propósito impessoal de engrandecer a pátria e contribuir
para a evolução da humanidade.
É a forma que em mim tomou o misticismo da nossa Raça.
Fernando Pessoa
Fonte: http://www.secrel.com.br/jpoesia/fpesso.html
[Nota de SF "Navigare necesse; vivere non est necesse" - latim, frase de Pompeu, general romano, 106-48 aC., dita aos marinheiros, amedrontados, que recusavam viajar durante a guerra, cf. Plutarco, in Vida de Pompeu]
25 de dezembro. Natal! Uma data tão comemorada no mundo inteiro. Uma data tão expressiva por vários motivos, para mim, não tem seu significado na história, nos símbolos e nem na religião. Está na união da família. Seja qual for o motivo, nesta data a família se reúne. Quando meu avô era vivo, ele era o Natal. Dele vinha a alegria, a festa, a árvore, a expectativa e o motivo de tudo: reunir todos em volta da mesa, momento de conversar, de rir, presentear.
E por falar em presentes, o natal de 1984 foi inesquecível. O ano eu não lembrava, mas a minha idade na época ajudou a resgatar este número. Foi o primeiro ano que tive "meu" dinheiro. Fiz e vendi, junto com a minha mãe, brincos, enfeites de cabelo e broches, tudo feito com fitas de cetim. E aí, com orgulho, juntei todo o dinheiro que ganhei para comprar presentes para toda a família.
Lembro que fui a uma pequena loja na 106 Sul e levei uma tarde inteira escolhendo as "lembrancinhas". Afinal, tinha que calcular muito bem o valor de tudo para que o dinheiro fosse suficiente para comprar para todos da lista. Eu tinha uma lista! Ela foi feita em um dos meus caderninhos de notas. Nesta época eu tinha vários, adorava anotar tudo. Nesta época? Engraçado!!!! Até hoje tenho muitos caderninhos e continuo anotando tudo. Algumas manias a gente não abandona, não é mesmo?
E lembro muito bem da expressão de satisfação do meu avô ao me ver tirando os pacotinhos de uma sacola e entregando um a um para cada membro da família. Todos riam, como se fosse algo tão grande quanto doar uma casa a desabrigados. E meu avó me olhava com satisfação, amor e orgulho. Sinto-me feliz ao lembrar disso. E emocionada! Reviver a lembrança da alegria do meu avô é algo inexplicável... Saudades de um natal que não volta mais!
domingo, 18 de setembro de 2011
Pé de acontecimentos... setembro!
Eita mês maravilhoso, hein? Eu acredito que sim! Já começa pelo dia primeiro: meu aniversário. É... este ano uma data especial, mudança de década. Bem que eu poderia completar vinte anos, mas... Aliás, nem me recordo de quando completei 20. Nem achei tão importante assim. Aos 10, então, não lembro nem um pouquinho. Consigo lembrar melhor dos 9. Tantos número me fazem pensar no tempo, nas medidas, na minha casa... O tempo é o meu grande inimigo. Ele vive me perseguindo! Estou sempre querendo enganá-lo, só que ele não deixa! Medidas? Ah, elas me atormentam: cintura que não é mais a mesma, calça 38 que não serve mais e os metros quadrados de piso que tive que comprar... e aí a CASA aparece!
E eu que planejei com tanto carinho esta casa! Agora ela faz parte de um pesadelo. Sete meses de atraso e eu ainda não estou morando nela. No entanto, não posso reclamar: ela está cada dia mais linda. E eu também não comecei a escrever para fazer reclamações, ora essa! Pelo contrário, há tantos acontecimentos que engradeceram ainda mais este mês ...
Dia primeiro, já comentei, completei primaveras... haja flor para o tanto de bagagem que tenho dentro de mim! Comemoração? No, no, no... vou esperar para comemorar com a inauguração da minha casa.
Dia oito tive o imenso prazer de conversar com os alunos da Escola Classe 416 Sul. Foi tão especial, eu contei minhas histórias, inventei outras por lá e ainda ouvi crianças inventando as suas! Oba, o dia foi gostoso demais!
Vejam as fotos:
Os alunos participaram e eu percebi: são loucos por leitura! A sala de leitura é aconchegante e foi preparada para conquistar os leitores. E está dando certo, gente!
E ainda tive eventos maravilhosos no dia treze e no dia quatorze. E vou falar deles nos próximos "posts".
E eu que planejei com tanto carinho esta casa! Agora ela faz parte de um pesadelo. Sete meses de atraso e eu ainda não estou morando nela. No entanto, não posso reclamar: ela está cada dia mais linda. E eu também não comecei a escrever para fazer reclamações, ora essa! Pelo contrário, há tantos acontecimentos que engradeceram ainda mais este mês ...
Dia primeiro, já comentei, completei primaveras... haja flor para o tanto de bagagem que tenho dentro de mim! Comemoração? No, no, no... vou esperar para comemorar com a inauguração da minha casa.
Dia oito tive o imenso prazer de conversar com os alunos da Escola Classe 416 Sul. Foi tão especial, eu contei minhas histórias, inventei outras por lá e ainda ouvi crianças inventando as suas! Oba, o dia foi gostoso demais!
Vejam as fotos:
Os alunos participaram e eu percebi: são loucos por leitura! A sala de leitura é aconchegante e foi preparada para conquistar os leitores. E está dando certo, gente!
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Pé de Acontecimentos
Aconteceu? Virou notícia. A partir de agora, tudo que estiver debaixo do título "Pé de Acontecimentos" é uma notícia sobre algo que vivi, presenciei, participei ou simplesmente quero divulgar.
E hoje começo com algo bem legal! Vejam só o sorriso destas crianças! Foi uma homenagem que recebi da direção, dos professores e alunos do CEMEI, em Pirenópolis, durante a 3ª Flipiri - Festa Literária de Pirenópolis. Eles leram o meu livro "O Cavalinho de Pau", fizeram lindos cavalinhos e desfilaram para mim! Que emoção!
Sorrisos assim valem mais que mil palavras!
Obrigada, crianças!
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Programa instala biblioteca em comunidade quilombola | Língua Portuguesa | Nova Escola
Fico extremamente feliz por trabalhar nesse Programa! O livro está chegando em todo lugar! Eita, coisa boa, minha gente!
Programa instala biblioteca em comunidade quilombola Língua Portuguesa Nova Escola
Programa instala biblioteca em comunidade quilombola Língua Portuguesa Nova Escola
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Contando histórias na Chapada dos Veadeiros
Atualmente tenho o prazer de trabalhar no Programa Arca das Letras, um Programa do Ministério do Desenvolvimento Agrário que incentiva a leitura por meio da distribuição de bibliotecas rurais e formação de agentes literários. Pelo Programa, eu fui contar histórias no X Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros, no município de São Jorge, próximo a Alto Paraíso.
As crianças adoraram a história do Cavalinho de Pau, do Sapo Tagarela e do Planeta das Letrinhas. Elas se divertiram muito ao tirar a primeira letra do nomes das pessoas. Foram boas risadas com o som produzido sem essa letra. O Gustavo, que virou Ustavo, se achou um ato (gato sem g!). O Edro (antigo Pedro) deu muitas risada e disse: "Assim meu nome fica esquisito, tia!"
O brilho no olhar das crianças a ouvir histórias é algo delicioso de ver!
mais fotos em http://www.encontrodeculturas.com.br/2010/galeriaDetalhe.php?album=166&grupo=#
As crianças adoraram a história do Cavalinho de Pau, do Sapo Tagarela e do Planeta das Letrinhas. Elas se divertiram muito ao tirar a primeira letra do nomes das pessoas. Foram boas risadas com o som produzido sem essa letra. O Gustavo, que virou Ustavo, se achou um ato (gato sem g!). O Edro (antigo Pedro) deu muitas risada e disse: "Assim meu nome fica esquisito, tia!"
O brilho no olhar das crianças a ouvir histórias é algo delicioso de ver!
mais fotos em http://www.encontrodeculturas.com.br/2010/galeriaDetalhe.php?album=166&grupo=#
quarta-feira, 17 de março de 2010
II FLIPIRI - o início
A II Festa Literária de Pirenópolis não poderia ter sido melhor! Começou com a Flipiri Itinerante. Ora, nós, autores, também temos que conhecer as escolas e visitar os espaços em que as leituras acontecem! E foi isso que fizemos. Vários de nós, da Casa de Autores, fomos aos 10 povoados de Pirenópolis e ainda visitamos todas as escolas da cidade. Isso foi na quinta-feira, dia 11 de março. Os alunos já tinham lido nossas obras. Todos eles receberam, da Prefeitura, vários exemplares de literatura infantil.
O mais gostoso da Flipiri Itinerante foi a forma como fomos recebidos: com uma festa! Eu cheguei na escola Tia Olivia e já vi um monte de balões enfeitando o pátio. Eles contornavam um cartaz com o meu nome e desenhos das minhas obras. Que emoção!
E depois fui convidada a me apresentar. Eu hein? Para quê? TODOS já me conheciam. Que gostosura! Foi então, que resolvi contar histórias. Pedi ajuda ao meu dragão de estimação, o Godofredo. Ele, muito tímido, pediu silêncio... Tantas estratégias que usei... e deram todas certo! As crianças adoraram as histórias contadas por mim e pelo Godofredo. O difícil foi ir embora... estava tão divertido!
Ah, não posso deixar de contar o que o Godofredo fez com os alunos da Escola Tia Olívia! Como ele só fala no ouvido das pessoas (ele é tímido!), eu pedi que ele falasse no ouvido de alguns alunos... Pedi que ele contasse histórias... E sabe o que o danadinho fez? Com a primeira criança ele não falou nada (se bem que acho que foi ela que não ouviu... ele fala bem baixinho e temos que ter imaginação!). Com a segunda criança, o Ian, ele falou em inglês. Isso mesmo! Quando perguntei para o Ian o que o dragão tinha falado, ele respondeu: "Ah, eu não entendi, ele falou inglês!". Puxa! Eu e as professoras adoramos perceber a criatividade e imaginação dessa criançada!
Depois eu conto mais... ainda estou esperando as fotos que vão me enviar!
O mais gostoso da Flipiri Itinerante foi a forma como fomos recebidos: com uma festa! Eu cheguei na escola Tia Olivia e já vi um monte de balões enfeitando o pátio. Eles contornavam um cartaz com o meu nome e desenhos das minhas obras. Que emoção!
E depois fui convidada a me apresentar. Eu hein? Para quê? TODOS já me conheciam. Que gostosura! Foi então, que resolvi contar histórias. Pedi ajuda ao meu dragão de estimação, o Godofredo. Ele, muito tímido, pediu silêncio... Tantas estratégias que usei... e deram todas certo! As crianças adoraram as histórias contadas por mim e pelo Godofredo. O difícil foi ir embora... estava tão divertido!
Ah, não posso deixar de contar o que o Godofredo fez com os alunos da Escola Tia Olívia! Como ele só fala no ouvido das pessoas (ele é tímido!), eu pedi que ele falasse no ouvido de alguns alunos... Pedi que ele contasse histórias... E sabe o que o danadinho fez? Com a primeira criança ele não falou nada (se bem que acho que foi ela que não ouviu... ele fala bem baixinho e temos que ter imaginação!). Com a segunda criança, o Ian, ele falou em inglês. Isso mesmo! Quando perguntei para o Ian o que o dragão tinha falado, ele respondeu: "Ah, eu não entendi, ele falou inglês!". Puxa! Eu e as professoras adoramos perceber a criatividade e imaginação dessa criançada!
Depois eu conto mais... ainda estou esperando as fotos que vão me enviar!
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
No dia do aniversário de um ano da Biblioteca Nacional
Foi um evento tímido. Cheguei, achando que não contaria minhas histórias... Não vi ninguém... De repente, um grupo de crianças do Novo Gama chega. Eles estavam com pressa, muita pressa. Não tinham ido para a comemoração. Nem sabiam do aniversário da Biblioteca. Foram levados por um grupo de senhoras da comunidade para passear. Primeira vez na capital federal! Ainda não conheciam nada aqui. É possível imaginar isso? Crianças que moram há no máximo 100 km daqui! Esse é o nosso Brasil. País de diversidade, de realidades diferentes, de desigualdades e de esperança!
E foi aí que contem a minha história. Tive que apressar. O sapo tagarela teve que conter a sua tagarelice. Ficou com a boca costurada para que eu pudesse narrar os acontecimentos. E foi MUITO divertido. Eu adorei. Tenho que registrar essa experiência aqui. Uma manhã de sábado diferente, divertida e emocionante! Sinto-me feliz por ter feito parte da vida dessas crianças, ainda mais nesse dia que vai ficar na memória delas: o dia da visita a capital do nosso país...
E assim conto uma nova história. Uma história real. Uma história de comemoração. E a Biblioteca, no centro da capital, foi o local escolhido. Quem ainda não conhece esse espaço... dê uma passadinha lá! Ela é nova, ainda bebê... mal começou a andar... mas é um espaço de encanto, magia e livros! E onde tem livros, tem alegria!
E foi aí que contem a minha história. Tive que apressar. O sapo tagarela teve que conter a sua tagarelice. Ficou com a boca costurada para que eu pudesse narrar os acontecimentos. E foi MUITO divertido. Eu adorei. Tenho que registrar essa experiência aqui. Uma manhã de sábado diferente, divertida e emocionante! Sinto-me feliz por ter feito parte da vida dessas crianças, ainda mais nesse dia que vai ficar na memória delas: o dia da visita a capital do nosso país...
E assim conto uma nova história. Uma história real. Uma história de comemoração. E a Biblioteca, no centro da capital, foi o local escolhido. Quem ainda não conhece esse espaço... dê uma passadinha lá! Ela é nova, ainda bebê... mal começou a andar... mas é um espaço de encanto, magia e livros! E onde tem livros, tem alegria!
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Brasil Leitor
Um novo pólo para difundir a leitura no País
Rachel Bertol - Prosa Online - 2/7/2009
Na manhã de 2/7, ao abrir a programação da Flip Casa de Cultura, o escritor Bartolomeu Campos de Queirós leu um manifesto por um Brasil literário, em debate que contou com a presença de representantes de diferentes entidades e ONGs ligadas ao estímulo à leitura, além de autoridades, como o diretor de Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fernando dos Santos, a secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Cláudia Costin, e o secretário Municipal de Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil. De concreto, a mesa anunciou a criação do site http://www.brasilliterario.org.br/, em que será possível acompanhar ações de estímulo à leitura no país.Também circulou em Paraty um livro com o manifesto, para que os interessados possam aderir à causa. A ideia é dar o pontapé para um amplo movimento nacional de estímulo à leitura literária, e a Flip, sobretudo a partir de sua próxima edição, em 2010, deve funcionar como uma caixa de ressonância dessas ações.
A Casa Azul, associação que organiza a Flip, é uma das entidades à frente do movimento, que conta com o apoio do Instituto C&A, da Fundação Nacional do Livro e da Leitura (FNLIJ), do Instituto Ecofuturo e do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF). Queirós, no manifesto - cujo audio pode ser visto no novo site - afirma que "a leitura literária é um direito de todos e que ainda não está escrito. O sujeito anseia por conhecimentos e possui a necessidade de estender suas intuições criadoras aos espaços em que convive".
Abaixo, a íntegra do manifesto:Manifesto por um Brasil literário,
por Bartolomeu Campos de Queirós
O Instituto C&A, se somando às proposições da Associação Casa Azul – organizadora da Festa Literária Internacional de Paraty -, à Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, ao Instituto Ecofuturo e ao Centro de Cultura Luiz Freire, manifesta sua intenção de concorrer para fazer do País uma sociedade leitora. Reconhecendo o êxito já conferido, nacional e internacionalmente à FLIP, o projeto busca estender às comunidades, atividades mobilizadoras que promovam o exercício da leitura literária.
Reconhecemos como princípio, o direito de todos de participarem da produção também literária. No mundo atual, considera-se a alfabetização como um bem e um direito. Isto se deve ao fato de que com a industrialização as profissões exigem que o trabalhador saiba ler. No passado, os ofícios e ocupações eram transmitidos de pai para filho, sem interferência da escola.
Alfabetizar-se, saber ler e escrever tornaram-se hoje condições imprescindíveis à profissionalização e ao emprego. A escola é um espaço necessário para instrumentalizar o sujeito e facilitar seu ingresso no trabalho. Mas pelo avanço das ciências humanas compreende-se como inerente aos homens e mulheres a necessidade de manifestar e dar corpo às suas capacidades inventivas.
Por outro lado, existe um uso não tão pragmático de escrita e leitura. Numa época em que a oralidade perdeu, em parte, sua força, já não nos postamos diante de narrativas que falavam através da ficção de conteúdos sapienciais, éticos, imaginativos.
É no mundo possível da ficção que o homem se encontra realmente livre para pensar, configurar alternativas, deixar agir a fantasia. Na literatura que, liberto do agir prático e da necessidade, o sujeito viaja por outro mundo possível. Sem preconceitos em sua construção, daí sua possibilidade intrínseca de inclusão, a literatura nos acolhe sem ignorar nossa incompletude.
É o que a literatura oferece e abre a todo aquele que deseja entregar-se à fantasia. Democratiza-se assim o poder de criar, imaginar, recriar, romper o limite do provável. Sua fundação reflexiva possibilita ao leitor dobrar-se sobre si mesmo e estabelecer uma prosa entre o real e o idealizado.
A leitura literária é um direito de todos e que ainda não está escrito. O sujeito anseia por conhecimentos e possui a necessidade de estender suas intuições criadoras aos espaços em que convive.
Compreendendo a literatura como capaz de abrir um diálogo subjetivo entre o leitor e a obra, entre o vivido e o sonhado, entre o conhecido e o ainda por conhecer; considerando que este diálogo das diferenças – inerente à literatura – nos confirma como redes de relações; reconhecendo que a maleabilidade do pensamento concorre para a construção de novos desafios para a sociedade; afirmando que a literatura, pela sua configuração, acolhe a todos e concorre para o exercício de um pensamento crítico, ágil e inventivo; compreendendo que a metáfora literária abriga as experiências do leitor e não ignora suas singularidades, que as instituições em pauta confirmam como essencial para o País a concretização de tal projeto.
Outorgando a si mesmo o privilégio de idealizar outro cotidiano em liberdade, e movido pela intimidade maior de sua fantasia, um conhecimento mais amplo e diverso do mundo ganha corpo, e se instala no desejo dos hímens e mulheres promovendo os indivíduos a sujeitos e responsáveis pela sua própria humanidade. De consumidores passa-se a investidores na artesania do mundo. Por ser assim, persegue-se uma sociedade em que a qualidade da existência humana é buscada como um bem inalienável.
Liberdade, espontaneidade, afetividade e fantasia são elementos que fundam a infância. Tais substâncias são também pertinentes à construção literária. Daí, a literatura ser próxima da criança.
Possibilitar aos mais jovens acesso ao texto literário é garantir a presença de tais elementos – que inauguram a vida – como essenciais para o seu crescimento. Nesse sentido é indispensável a presença da literatura em todos os espaços por onde circula a infância. Todas as atividades que têm a literatura como objeto central serão promovidas para fazer do País uma sociedade leitora. O apoio de todos que assim compreendem a função literária, a proposição é indispensável. Se é um projeto literário é também uma ação política por sonhar um País mais digno.
Rachel Bertol - Prosa Online - 2/7/2009
Na manhã de 2/7, ao abrir a programação da Flip Casa de Cultura, o escritor Bartolomeu Campos de Queirós leu um manifesto por um Brasil literário, em debate que contou com a presença de representantes de diferentes entidades e ONGs ligadas ao estímulo à leitura, além de autoridades, como o diretor de Livro e Leitura do Ministério da Cultura, Fernando dos Santos, a secretária Municipal de Educação do Rio de Janeiro, Cláudia Costin, e o secretário Municipal de Cultura de São Paulo, Carlos Augusto Calil. De concreto, a mesa anunciou a criação do site http://www.brasilliterario.org.br/, em que será possível acompanhar ações de estímulo à leitura no país.Também circulou em Paraty um livro com o manifesto, para que os interessados possam aderir à causa. A ideia é dar o pontapé para um amplo movimento nacional de estímulo à leitura literária, e a Flip, sobretudo a partir de sua próxima edição, em 2010, deve funcionar como uma caixa de ressonância dessas ações.
A Casa Azul, associação que organiza a Flip, é uma das entidades à frente do movimento, que conta com o apoio do Instituto C&A, da Fundação Nacional do Livro e da Leitura (FNLIJ), do Instituto Ecofuturo e do Centro de Cultura Luiz Freire (CCLF). Queirós, no manifesto - cujo audio pode ser visto no novo site - afirma que "a leitura literária é um direito de todos e que ainda não está escrito. O sujeito anseia por conhecimentos e possui a necessidade de estender suas intuições criadoras aos espaços em que convive".
Abaixo, a íntegra do manifesto:Manifesto por um Brasil literário,
por Bartolomeu Campos de Queirós
O Instituto C&A, se somando às proposições da Associação Casa Azul – organizadora da Festa Literária Internacional de Paraty -, à Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, ao Instituto Ecofuturo e ao Centro de Cultura Luiz Freire, manifesta sua intenção de concorrer para fazer do País uma sociedade leitora. Reconhecendo o êxito já conferido, nacional e internacionalmente à FLIP, o projeto busca estender às comunidades, atividades mobilizadoras que promovam o exercício da leitura literária.
Reconhecemos como princípio, o direito de todos de participarem da produção também literária. No mundo atual, considera-se a alfabetização como um bem e um direito. Isto se deve ao fato de que com a industrialização as profissões exigem que o trabalhador saiba ler. No passado, os ofícios e ocupações eram transmitidos de pai para filho, sem interferência da escola.
Alfabetizar-se, saber ler e escrever tornaram-se hoje condições imprescindíveis à profissionalização e ao emprego. A escola é um espaço necessário para instrumentalizar o sujeito e facilitar seu ingresso no trabalho. Mas pelo avanço das ciências humanas compreende-se como inerente aos homens e mulheres a necessidade de manifestar e dar corpo às suas capacidades inventivas.
Por outro lado, existe um uso não tão pragmático de escrita e leitura. Numa época em que a oralidade perdeu, em parte, sua força, já não nos postamos diante de narrativas que falavam através da ficção de conteúdos sapienciais, éticos, imaginativos.
É no mundo possível da ficção que o homem se encontra realmente livre para pensar, configurar alternativas, deixar agir a fantasia. Na literatura que, liberto do agir prático e da necessidade, o sujeito viaja por outro mundo possível. Sem preconceitos em sua construção, daí sua possibilidade intrínseca de inclusão, a literatura nos acolhe sem ignorar nossa incompletude.
É o que a literatura oferece e abre a todo aquele que deseja entregar-se à fantasia. Democratiza-se assim o poder de criar, imaginar, recriar, romper o limite do provável. Sua fundação reflexiva possibilita ao leitor dobrar-se sobre si mesmo e estabelecer uma prosa entre o real e o idealizado.
A leitura literária é um direito de todos e que ainda não está escrito. O sujeito anseia por conhecimentos e possui a necessidade de estender suas intuições criadoras aos espaços em que convive.
Compreendendo a literatura como capaz de abrir um diálogo subjetivo entre o leitor e a obra, entre o vivido e o sonhado, entre o conhecido e o ainda por conhecer; considerando que este diálogo das diferenças – inerente à literatura – nos confirma como redes de relações; reconhecendo que a maleabilidade do pensamento concorre para a construção de novos desafios para a sociedade; afirmando que a literatura, pela sua configuração, acolhe a todos e concorre para o exercício de um pensamento crítico, ágil e inventivo; compreendendo que a metáfora literária abriga as experiências do leitor e não ignora suas singularidades, que as instituições em pauta confirmam como essencial para o País a concretização de tal projeto.
Outorgando a si mesmo o privilégio de idealizar outro cotidiano em liberdade, e movido pela intimidade maior de sua fantasia, um conhecimento mais amplo e diverso do mundo ganha corpo, e se instala no desejo dos hímens e mulheres promovendo os indivíduos a sujeitos e responsáveis pela sua própria humanidade. De consumidores passa-se a investidores na artesania do mundo. Por ser assim, persegue-se uma sociedade em que a qualidade da existência humana é buscada como um bem inalienável.
Liberdade, espontaneidade, afetividade e fantasia são elementos que fundam a infância. Tais substâncias são também pertinentes à construção literária. Daí, a literatura ser próxima da criança.
Possibilitar aos mais jovens acesso ao texto literário é garantir a presença de tais elementos – que inauguram a vida – como essenciais para o seu crescimento. Nesse sentido é indispensável a presença da literatura em todos os espaços por onde circula a infância. Todas as atividades que têm a literatura como objeto central serão promovidas para fazer do País uma sociedade leitora. O apoio de todos que assim compreendem a função literária, a proposição é indispensável. Se é um projeto literário é também uma ação política por sonhar um País mais digno.
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