Jamais fale: "desta água não beberei!"
Perigosa afirmação, toca a ferida de muita gente. Hoje tocou a minha. Nem sei ao menos explicar o porquê de tamanha dor. Afinal, eu sou dona do meu próprio nariz e posso mudar de ideia a qualquer momento, não é mesmo? Um dia não quis tomar da água, hoje engulo e me afogo.
Não! Nem sempre somos "donos" de nós mesmos. Aliás, o sentimento de pertencimento é raro. Hoje, no mundo do "possuir", estamos todos perdidos sem ter, sem pertencer, sem querer... Somos submetidos ao que "é possível".
Hoje, é possível eu afirmar: "bebi da água. Estava gelada e sem sabor, mas matou a minha sede. E, de alguma forma, ainda está matando.
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Contando histórias na Chapada dos Veadeiros
Atualmente tenho o prazer de trabalhar no Programa Arca das Letras, um Programa do Ministério do Desenvolvimento Agrário que incentiva a leitura por meio da distribuição de bibliotecas rurais e formação de agentes literários. Pelo Programa, eu fui contar histórias no X Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros, no município de São Jorge, próximo a Alto Paraíso.
As crianças adoraram a história do Cavalinho de Pau, do Sapo Tagarela e do Planeta das Letrinhas. Elas se divertiram muito ao tirar a primeira letra do nomes das pessoas. Foram boas risadas com o som produzido sem essa letra. O Gustavo, que virou Ustavo, se achou um ato (gato sem g!). O Edro (antigo Pedro) deu muitas risada e disse: "Assim meu nome fica esquisito, tia!"
O brilho no olhar das crianças a ouvir histórias é algo delicioso de ver!
mais fotos em http://www.encontrodeculturas.com.br/2010/galeriaDetalhe.php?album=166&grupo=#
As crianças adoraram a história do Cavalinho de Pau, do Sapo Tagarela e do Planeta das Letrinhas. Elas se divertiram muito ao tirar a primeira letra do nomes das pessoas. Foram boas risadas com o som produzido sem essa letra. O Gustavo, que virou Ustavo, se achou um ato (gato sem g!). O Edro (antigo Pedro) deu muitas risada e disse: "Assim meu nome fica esquisito, tia!"
O brilho no olhar das crianças a ouvir histórias é algo delicioso de ver!
mais fotos em http://www.encontrodeculturas.com.br/2010/galeriaDetalhe.php?album=166&grupo=#
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Ferreira Gullar
Esse poema pulou no meu colo hoje pela manhã... Como deixar um poema maravilhoso desses sem um chamego? Tive que lê-lo e relê-lo... Acariciá-lo e me envolver com ele.
Eu empresto para quem quiser "traduzir-se"!
Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte de mim
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
in Na vertigem do dia
GULLAR, Ferreira. Toda Poesia (1950-1999). — 12ª ed. — Rio de Janeiro: José Olympio, 2004.
Eu empresto para quem quiser "traduzir-se"!
Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte de mim
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?
in Na vertigem do dia
GULLAR, Ferreira. Toda Poesia (1950-1999). — 12ª ed. — Rio de Janeiro: José Olympio, 2004.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Uma canção de ninar interessante!
Hoje, limpando livros e arrumando um acervo para enviar para alguma Arca das Letras no interior desse país, não resisti e... Abri o livro. Aí li esse poema (e o restante do livro todo... Ai, ai! Foi irrestistível!). Adoro os poemas do Sérgio Caparelli e as ilustrações da Laura Castilhos também são lindas!Então, decidi escrever o poema aqui... Aproveitem, leitores! (Pena que não dá para incluir a ilustração...)
Canção para ninar dromedário
Dromedário
As areias
Do deserto
Sentem sono,
Estou certo.
Drome, drome
Dormedário
Fecha os olhos
O beduíno,
Fecha os olhos,
Está dormindo.
Drome, drome
Dromedário
O frio da noite
Foi-se embora,
Fecha os olhos
Dorme agora.
Drome, drome
Dromedário
Dorme, dorme,
A palmeira,
Dorme, dorme,
A noite inteira.
Drome, drome
Dromedário
Foi-se embora
O cansaço
E você dorme
No meu braço.
Drome, drome
Dromedário
Drome, drome
Dromedário
Drome, drome
Dromedário
CAPARELLI, Sérgio. A árvore que dava sorvete/ Sérgio Caparelli; ilustração de Laura Castilhos. -- Porto Alegre: Editora Projeto, 1999. p. 15
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Quando o coração pede silêncio
Há dias na vida da gente que o coração pede silêncio. Ele precisa não ouvir e não falar. Ele quer ficar sozinho, num canto qualquer, sem pertubar ninguém e sem ser pertubado. Hoje sinto meu coração pedindo silêncio, calma, tranquilidade, harmonia... Um dia de paz para sair da rotina do tum-tum-tum que ele sempre gera dentro de mim. E como pode um coração deixar de bater e a vida dentro de mim permanecer? É fácil, ora essa! Eu só quero meditar! Mente e coração em silêncio... Será que consigo?! Tentar já vai valer a pena.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Adoro os questionamentos de Clarice!
Nossa truculência
Clarice Lispector*
Quando penso na alegria voraz
com que comemos galinha ao molho pardo,
dou-me conta de nossa truculência.
Eu, que seria incapaz de matar uma galinha,
tanto gosto delas vivas
mexendo o pescoço feio
e procurando minhocas.
Deveríamos não comê-las e ao seu sangue?
Nunca.
Nós somos canibais,
é preciso não esquecer.
E respeitar a violência que temos.
E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo,
comeríamos gente com seu sangue.
Minha falta de coragem de matar uma galinha
e no entanto comê-la morta
me confunde, espanta-me,
mas aceito.
A nossa vida é truculenta:
nasce-se com sangue
e com sangue corta-se a união
que é o cordão umbilical.
E quantos morrem com sangue.
É preciso acreditar no sangue
como parte de nossa vida.
A truculência.
É amor também.
*resultado do arranjo em versos, feito pelo padre Antônio Damázio, de textos em prosa da extraordinária escritora Clarice Lispector
Clarice Lispector*
Quando penso na alegria voraz
com que comemos galinha ao molho pardo,
dou-me conta de nossa truculência.
Eu, que seria incapaz de matar uma galinha,
tanto gosto delas vivas
mexendo o pescoço feio
e procurando minhocas.
Deveríamos não comê-las e ao seu sangue?
Nunca.
Nós somos canibais,
é preciso não esquecer.
E respeitar a violência que temos.
E, quem sabe, não comêssemos a galinha ao molho pardo,
comeríamos gente com seu sangue.
Minha falta de coragem de matar uma galinha
e no entanto comê-la morta
me confunde, espanta-me,
mas aceito.
A nossa vida é truculenta:
nasce-se com sangue
e com sangue corta-se a união
que é o cordão umbilical.
E quantos morrem com sangue.
É preciso acreditar no sangue
como parte de nossa vida.
A truculência.
É amor também.
*resultado do arranjo em versos, feito pelo padre Antônio Damázio, de textos em prosa da extraordinária escritora Clarice Lispector
sábado, 29 de maio de 2010
Um sábado solitário...
Hoje, pensei que iria dormir cedo. Pensei que andaria de bicicleta. Pensei e planejei que iria ao aeroporto comprar uma passagem. Nada disso aconteceu. A vida é assim! Muda a cada minuto. Transforma-se de acordo com o que estamos sentindo. Hoje senti vontade de ficar quieta, sozinha, em casa. Não estou com vontade de dormir, não estou com vontade de pedalar. E muito menos resolver problemas. Dei esse "espaço" para mim. Difícil? É! A solidão, muitas vezes, nos consome. Ou será que somos nós que a consumimos?
Há pouco, recebi uma mensagem da escritora e amiga Alessandra Roscoe. Ela me convidou para um blog. O blog da Bia, sua filha. Foi encantador. Vi um céu de estrelas. Deu vontade de escrever! Nada como um pequeno acontecimento para tirar a gente de onde quer que seja... Uma lua, algumas estrelas e um texto vindo de dentro. De dentro de uma menina que tem muito ainda para nos oferecer! Não devemos deixar de ser "meninas". Foi assim, que resolvi voltar ao meu tempo de menina e escrever sobre o nada. Ou será sobre tudo que tenho aqui dentro? Será que é bom liberar palavras? Ah, claro que é! Aqui estão algumas... voando pelo céu estrelado e enluarado lindo dessa noite de sábado!
Voem livres por aí, para encantar quem está com vontade de ler. Agora, chegou minha vez de catar algumas no livro que vou começar daqui a pouco.
É... não estou tão sozinha assim!
Há pouco, recebi uma mensagem da escritora e amiga Alessandra Roscoe. Ela me convidou para um blog. O blog da Bia, sua filha. Foi encantador. Vi um céu de estrelas. Deu vontade de escrever! Nada como um pequeno acontecimento para tirar a gente de onde quer que seja... Uma lua, algumas estrelas e um texto vindo de dentro. De dentro de uma menina que tem muito ainda para nos oferecer! Não devemos deixar de ser "meninas". Foi assim, que resolvi voltar ao meu tempo de menina e escrever sobre o nada. Ou será sobre tudo que tenho aqui dentro? Será que é bom liberar palavras? Ah, claro que é! Aqui estão algumas... voando pelo céu estrelado e enluarado lindo dessa noite de sábado!
Voem livres por aí, para encantar quem está com vontade de ler. Agora, chegou minha vez de catar algumas no livro que vou começar daqui a pouco.
É... não estou tão sozinha assim!
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